terça-feira, Janeiro 09, 2007

A necessidade de religião

Conseguem viver as pessoas sem religião? Era uma questão que se fazia com frequência e a própria ficou respondida ao deixar de ser colocada. As pessoas têm vivido sem religião e mais que sentir a sua falta, parecem ter-lhe cada vez mais aversão. Apesar deste afastamento “natural”, não é evidente que o indivíduo sem religião esteja melhor que anteriormente, mas não é sobre isto que me quero debruçar para já. A pergunta que faço é outra. Podem as civilizações sobreviver sem religião? A minha convicção é que não.

Entenda-se aqui civilização em termos restritos, como uma sociedade complexa que engloba em si valores de vária ordem, leis e instituições. O símbolo da civilização é a cidade, aliás, de onde deriva a palavra. A acumulação de riqueza, proporcionada também pela divisão do trabalho, possibilita a realização de uma vasta gama de actividades, que dariam origem à cultura. Alguns historiadores acreditam que um passo anterior necessário à formação de uma civilização é o acumular de poder bélico e de outros recursos numa elite. Sendo assim, a cultura de uma civilização, que engloba ideias, costumes, arte, arquitectura ou religião organizada, seria o resultado quase imprevisto de uma prévia acumulação de poder por uma minoria, seguida de uma acumulação de riqueza geral.

O problema desta concepção é dar demasiada ênfase à «coerção» em detrimento da «convicção» como forças actuantes. Não se pode arrastar pela força um grupo de pessoas rumo à civilização porque esta, em grande parte, vai sendo construída pelo trabalho voluntário de inúmeras pessoas. Várias gerações vão acrescentando camadas, tal como num recife de coral, que necessita de um substrato como base. E este substrato, por excelência, é a fé. Sendo assim, a religião não é um produto da civilização mas o inverso.

Em 2007 este blog irá converter-se à religião. Alguns assuntos a abordar nos próximos meses:

- Indícios do progressivo afastamento da realidade tendo como consequência o suicídio civilizacional.

- A religião e a construção das civilizações.

- Falsas religiões alternativas: socialismo e ecologia.

- A esperança no budismo. Uma sociedade que renega o cristianismo não poderá compreender o budismo.

- A oportunidade para uma nova revelação.