quinta-feira, dezembro 04, 2003

Que faço a tanta cultura?


Vagas de estudantes universitários invadem a sociedade. A percentagem em relação a outros países ainda é baixa, mas mesmo assim já se assemelham a pequenos cogumelos que crescem numa terra que lhes é estranha, ficando por vezes encandeados por um sol de que não estavam à espera. Universidade, pouco universal de preferência, dar-me-ás riquezas ou apenas cultura? E o que faço com a cultura? Chateio as pessoas, perco amigos, afugento namoradas?

Muitos estudantes universitários odeiam a cultura. Tentam rapidamente esquecer tudo o que aprenderam, falam mal dos professores e interrogam-se, sem querer saber a resposta, para que serviu aprenderem aquilo? Com o passar dos anos, amadurecem, alguns começam a interessar-se por coisas que odiavam e choram tempos perdidos e mal aproveitados. Quando dão por si, sentem-se mais cultos, importantes e imponentes. Mas tanta cultura para quê? Como nunca procuraram nada, também nunca tiveram um projecto pessoal a sério. Não têm rumo e agora não utilizam a sua cultura criativamente.

Mas usam-na ainda assim. Usam-na contra aqueles que nunca tiveram possibilidades de lhe aceder, justificando assim a arrogância ou paternalismo que demonstram sobre eles. Usam-na contra outros como eles mas que não dominam os mesmos assuntos. Usam-na contra si próprios, ao elaborarem um complexa cascata de ilusões. O que lhes deu a cultura? Nada, porque ninguém dá algo a alguém, a não ser a oportunidade.